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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Transgênicos: uma nova semente

Por Najar Tubino - www.cartamaior.com.br (12/09/2013)

A companhia Dow Agrosciences, que integra a corporação Dow Chemicals, vai lançar no Brasil uma nova semente transgênica de soja, imune a três agrotóxicos – glifosato, glufosinato de amônia e o 2,4-D. Significa uma nova etapa na transgenia mundial, porque o chamado sistema Enlist ainda não foi aprovado nos Estados Unidos, onde está em análise desde 2009. Por Najar Tubino

Condenada pela história
A multinacional Dow Agrosciences, que integra a corporação Dow Chemicals, vai lançar no Brasil uma nova semente transgênica de soja, imune a três agrotóxicos – glifosato, glufosinato de amônia e o 2,4-D. Significa uma nova etapa na transgenia mundial, porque o chamado sistema Enlist ainda não foi aprovado nos Estados Unidos, onde está em análise desde 2009. Esta é uma história que envolve o último lance da agricultura industrial e o passado das corporações, marcado pela participação na produção de um veneno mundialmente conhecido, o Agente Laranja. Um passado que continua vivo na memória de milhares de vietnamitas e no corpo mal formado de seus filhos e netos. Uma tragédia lembrada todo dia 10 de agosto como o “Orange Day”.

Em novembro de 1961 o presidente John Kennedy autorizou uma operação sigilosa denominada “Ranch Hand”, uma ajuda aos agricultores. Na verdade o governo dos Estados Unidos, mesmo contra os princípios da Convenção de Genebra, que proibia o uso de químicos na guerra, mandou 23 empresas fabricarem a mistura do Agente Laranja. Entre as corporações mais conhecidas Monsanto e Dow, que na época não tinha o Agrosciences. Um parêntesis para explicar a mistura. Em outubro de 2011 publiquei um texto na Carta Maior intitulado “A Marcha dos Insensatos”, que tocava no assunto agrotóxicos e mencionava o Agente Laranja.

Logo em seguida recebi uma correspondência de uma assessoria de São Paulo, que iniciava assim:

“Meu nome é Mariana, sou assessora de imprensa da Força-Tarefa. Li o seu texto “A Marcha dos Insensatos”, publicado no dia 16 de outubro na Agência Carta Maior. Gostaria de aproveitar para apresentar um material explicativo sobre o defensivo agrícola 2,4-D, mas antes quero explicar o que é a Força-Tarefa: somos um grupo formado por representantes de quatro empresas- Atanor, Dow Agrosciences, Milenia e Nufarm...”.

Lógico que as seis páginas do material mostram que o 2,4-D é um agrotóxico do bem, assim que vou mencioná-lo. A Força-Tarefa ajudou bastante na explicação, porque mostrou qual era a composição do Agente Laranja. Ainda citando a correspondência:

- O 2,4-D tem sido erroneamente associado ao produto utilizado na guerra conhecido como “Agente Laranja”. O “Agente Laranja” nunca foi usado em agricultura e era uma mistura de 50% de 2,4,5-T Éster + 50% de 2,4-D Éster, utilizado desta forma na Guerra do Vietnã para desfolhar as florestas locais. Ficou assim conhecido porque a mistura era armazenada em tambores que possuíam uma “faixa amarela”, em sua parte externa. O problema que existia com o “Agente Laranja” naquela época se relacionava a uma impureza presente no processo de produção do 2,4,5-T chamada dioxina (TCDD). O 2,4,5-T não é mais comercializado nos dias de hoje”.

Milhares de crianças com graves deficiências
O país que agora pretende bombardear a Síria para punir o uso de armas químicas, não resolveu o seu passado. Em agosto de 2012 a Secretária de Estado, Hilary Clinton, foi ao Vietnã para inaugurar um programa de descontaminação do Agente Laranja. Mas apenas nos locais onde a Força Aérea dos EUA usava como base. Onde os tambores vazavam o veneno, ou caíam dos caminhões pelos trajetos. O índice de contaminação é 400 vezes maior nesses locais. Porém, nunca o governo dos Estados Unidos reconheceu a responsabilidade da tragédia que atingiu mais de quatro milhões de pessoas. Segundo o governo vietnamita pelo menos 500 mil crianças nascidas posteriormente apresentaram malformações congênitas e suportam uma rotina que é um pesadelo, com mãos e pés defeituosos.

Em 1984 um grupo de veteranos da guerra do Vietnã – entre 15 e 16 mil militares- recebeu US$180 milhões das corporações químicas num acordo extrajudicial. Também os filhos dos veteranos que tiveram contato com o veneno nasceram com malformações. O governo dos EUA lançou o Agente Laranja numa área de 10 milhões de hectares, que era cultivada com milho, arroz e outras culturas. Alem disso, pulverizou cerca de 20 mil quilômetros quadrados de terras altas e florestas de mangue. No livro “Transgênicos : as Sementes do Mal”, os pesquisadores Antônio Inácio Andreoli e Richard Fulls relatam que foram jogadas 366 quilos de dioxina (TCDD) no Vietnã. Em 1976, num acidente com uma fábrica química na Itália em Seveso, que virou um desastre ambiental, foi liberado 1,5kg de dioxina.

Argumento engolido
Três vietnamitas no início dos anos 2000 entraram com uma ação de indenização contra as corporações num tribunal de Nova Iorque. Em 2009, o tribunal negou o pedido, sob o seguinte argumento: não estava estabelecido o vínculo entre a dioxina e as malformações congênitas dos vietnamitas afetados. Outro problema: pela legislação americana as empresas não são responsáveis pelo envenenamento porque agiram por ordem do governo. Em 1999, o deputado federal Dr. Rosinha, do PT do Paraná, encaminhou um projeto na Câmara para proibir o uso do 2,4-D no Brasil. Em 2004, o projeto foi aprovado pelo relator da Comissão de Bem Estar Social e Família. Em função disso o 2,4-D está sendo reavaliado pela ANVISA. 

Ele é classificado como um agrotóxico classe 1, extremamente perigoso, mas seu uso é difundido pelo baixo custo e usado como complemento ao glifosato, um herbicida que perdeu efeito. Nos Estados Unidos o próprio Departamento de Agricultura registra mais de 10 milhões de hectares onde plantas como buva, corda de viola,capim amargoso se tornaram resistentes. Isso é um fato também no Brasil, na Argentina. Ou seja, as corporações precisam lançar novas sementes porque o argumento de redução no uso de agrotóxicos nos cultivos transgênicos literalmente foi engolido pela terra.

Brasil vai ser cobaia comercial
Voltando ao Enlist. O Departamento de Agricultura dos EUA pretende elaborar mais dois relatórios de impacto ambiental e saúde para liberar os produtos. No Brasil, o jornal Valor Econômico que fez uma visita paga a Indianópolis, sede da Dow Agrosciences, anunciou que o colegiado da CNTbio, encarregada pela liberação de cultivos transgênicos no Brasil, vai aprovar a liberação em outubro. É interessante o momento histórico, porque a CNTbio, através de seus membros – 27, a maioria biólogos moleculares favoráveis à transgenia – sempre usa como argumento a segurança do plantio por muitos anos – caso dos Estados Unidos, onde completou duas décadas. No caso do Enlist o Brasil vai fazer o papel de cobaia comercial, já que as sementes Enlist estão sendo desenvolvidas em laboratório e em experimentos de campo há mais de uma década, mas nunca foram usadas em plantios comerciais. A Dow Agrosciences pretende pular da quinta para a terceira posição no mercado de sementes – o faturamento sairá de US$6,5 bilhões para US$12 bilhões em 2020. Um detalhe: em 2012 o mercado mundial de sementes arrecadou US$49,2 bilhões, enquanto o de agrotóxicos foi de US$47,4 bilhões. As corporações ganham dos dois lados. Além de duas sementes de soja e uma de milho Enlist, a Dow também entrou com um pedido para liberar um agrotóxico, que será uma nova versão do glifosato misturado ao 2,4-D(ácido diclorofenoxiacético).

Financiamento do BNDES
Ainda tem outra surpresa. No site do BNDES está anunciado desde julho de 2013:

“A Dow Agrosciences Sementes e Biotecnologia Brasil Ltda recebeu um financiamento de R$26,8 milhões para a implantação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Cravinhos (SP), corresponde a 43,6% do valor do projeto... foco em biotecnologia... desenvolverá atividade que poderão acelerar o lançamento de novas tecnologias para a agricultura brasileira, a partir do processo de melhoramento genético no segmento de sementes.”

A própria empresa já anunciou que vai inserir os genes no Brasil. Uma planta transgênica funciona de três maneiras: ou ela produz o veneno, no caso das variedades BT, ou ela tolera os herbicidas, ou então faz as duas coisas. O Enlist não foi aprovado nos Estados Unidos por uma questão óbvia: os americanos vão ter que mexer no passado, voltar a discutir a guerra do Vietnã e as consequências do Agente Laranja. Uma entidade chamada Centro para Segurança Alimentar lançou uma campanha que tem mais de 400 mil adesões contra a aprovação das variedades Enlist. Um dos argumentos é pela rápida propagação do 2,4-D no ambiente. Ele tem vida curta, diz a Força-Tarefa, mas se movimenta rápido. Tem cloro na composição, mas “é muito seguro, um dos princípios mais pesquisados no mundo”.

Não se deixe enganar
O Brasil é o segundo maior mercado de transgênicos do mundo, segundo as empresas que fazem o lobby da transgenia, o país já tem 36 milhões de hectares. Os Estados Unidos, o primeiro lugar, tem 69 milhões. Em terceiro vem a Argentina com quase 24 milhões de hectares. A China não planta transgênico, pelo menos oficialmente. No mês de agosto, o secretário Geral da Associação de Soja de Helong-Jiang, Wang Xiaoyu, lançou um petardo contra os transgênicos. Disse que as pessoas que comem óleo de soja transgênico são mais vulneráveis a desenvolver tumores e esterilidade, citando como referência os índices das províncias de Fujian e Guandong, onde o consumo é alto e os índices de câncer também. 

Foi um pandemônio. A máquina trituradora das corporações quase invadiu a China, para desmentir, por falta de provas, metodologia e outras coisas do tipo. Mais polêmico ainda é o artigo da professora de economia da Universidade de Yunnan, Gu Xiulin, onde diz:

“Os alimentos transgênicos são uma faca mágica capaz de aniquilar o gênero humano e de destruir o meio ambiente... não se deixe enganar”.

Você seria um estúpido
A China compra 60% da soja comercializada no mundo. E planta 30 milhões de hectares.No Brasil é obrigatório, desde 2005, quando foi aprovada a lei da Biossegurança, onde está acentuado o “princípio da precaução”, que todo alimento que tiver mais de 1% de transgênico na sua composição precisa estar identificado com um T. Nunca emplacou. A lecitina de soja transgênica produzida no Brasil está presente em biscoitos, achocolatados, no próprio chocolate. Esse é um pesadelo que está evoluindo. Genes transgênicos espalhados pelo ambiente natural. Planta que produz veneno, que depois é transformado em alimento, que depois entra no consumo humano. Sem contar que a maioria da soja é transformada em ração para aves, suínos, bois e usada na forma de farelo. As corporações dizem que é um avanço da ciência, só não deixam pesquisar os resultados contrários. Quando surge uma pesquisa que aponte algum problema, a máquina trituradora acaba com o pesquisador, a entidade, o sujeito perde bolsa, cargo e por aí vai.

No livro “Roleta Genética”, de Jeffrey Smith, um dos maiores especialistas no assunto, tem o depoimento do Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Dan Glickman, no governo Bill Clinton:

“Em geral o que eu vi no lado pró-biotecnologia foi a crença de que a tecnologia era boa e que era quase imoral dizer o contrário, uma vez que ela resolveria os problemas da raça humana, alimentando os famintos e vestindo os que não tinham roupas. E havia muito dinheiro investido nisso. Se você fosse contra seria considerado um ludita, você seria um estúpido. Esse, francamente, era o lado em que estava o nosso governo. Sem pensar, nós basicamente, considerávamos apenas o lado comercial e eles, seja lá quem fosse “eles”, queriam apenas manter nossos produtos fora do mercado. Você se sentia como um alienígena, desleal, por tentar apresentar uma visão mais abrangente em relação a algumas questões levantadas. Então eu repeti a retórica que todos repetiam”.

E assim o Brasil vai ser o pioneiro no sistema Enlist,que usa o 2,4-D, a porção do bem do Agente Laranja, com financiamento do BNDES. Tudo muito seguro.

sábado, 12 de outubro de 2013

Setembro Queniano: antes da tragédia, a descoberta de importantes Reservas Subterrâneas de Água

O atentado de 21 de setembro ao shopping Westgate, em Nairóbi, capital do Quênia, reivindicado pelo grupo islâmico somali Al-Shabaab, em represália pela presença de militares quenianos na Somália, colocou o país africano nos noticiários internacionais. Não é para menos: o saldo é de 67 mortos e 39 desaparecidos.

Apesar da tragédia, no mesmo mês de setembro, antes do atentado, o Governo do Quênia e a UNESCO anunciaram descoberta de reservas subterrâneas de água que, estima-se, poderá abastecer a população do Quênia, fustigada por constantes secas e privações deste recurso, pelos próximos 70 anos.

© UNESCO/Nairobi Office
Os aqüíferos Lotikipi (200 mil milhões de metros cúbicos) e Lowar (10 mil milhões de metros cúbicos) estão localizados na região semidesértica do candado de Turkana (norte do Quênia e divisa com a Etiópia). A população desta região, sofrendo com a seca há cerca de dois anos, reserva uma triste estatística de 37% de desnutridos, conforme a UNESCO, e cerca de 28 milhões de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento básico.

O mais triste de tudo, é que em certas regiões do nosso Brasil de recursos abundantes (recursos naturais e recursos financeiros) estes números se equiparam vergonhosamente. Para isto, basta confrontar os dados da pesquisa IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 2013 com o PIB do país. Ou fazer um “turismo” na favela mais próxima.

As palavras do ministro do Ambiente queniano, Judi Wakhungu, também servem para nós brasileiros: “Agora temos que explorar estes recursos de uma forma responsável e garantir sua duração para as gerações futuras.” O que em outras palavras quer dizer sem intervenções.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Uma Gaúcha Retida na Rússia

Uma embarcação quebra-gelos do Greenpeace foi interceptada por guardas de fronteira, e está sendo rebocada para o porto russo Murmansk (norte). O objetivo da viagem ao Ártico era o de denunciar projetos de exploração de empresas petroleiras. Entre os trinta tripulantes do grupo que foram “retidos”, encontra-se a gaúcha Paula Alminhana Maciel, natural de Porto Alegre, que é bióloga e militante do Greenpeace. 
O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia declarou sobre o caso: “Decidimos rebocar o Arctic Sunrise para realizar procedimentos jurídicos.” Os ativistas podem ser acusados de terrorismo e investigações ilegais. 
A campanha “Envie um e-mail para o embaixador russo” está no site: www.greenpeace.org/brasil, como forma de pressionar pela liberação dos ativistas.

Navio quebra-gelos Arctic Sunrise - Imagem: www.telegraph.co.uk


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Novos riscos resultantes dos transgênicos na agricultura: o herbicida 2,4-D, componente do “agente laranja”, usado da Guerra do Vietnã

Texto de Paulo Brack - Publicado em 12/09/13 no site Ingá Estudos Ambientais: http://www.inga.org.br/?p=3645
Nova primavera silenciosa se aproxima? Na pauta* da Reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do próximo dia 19 de setembro de 2013, constam três processos de liberação comercial de sementes transgênicas de soja e milho, da empresa Dow AgroSciences, com adaptação ao herbicida 2,4-D, de alta toxicidade, junto com outros herbicidas, entre eles o glifosato, também tóxico. A intenção dos transgênicos é resistir a estes agrotóxicos potentes, que matam as chamadas “ervas daninhas” (=especismo?), para “aumentar a produtividade” das commodities agrícolas, ou mesmo pastagens. Mas, segundo dados do próprio Ministério da Agricultura, o que vem aumentando exponencialmente é a venda e o uso de herbicidas e outros agrotóxicos. O uso de agrotóxicos subiu no Brasil, em menos de 10 anos, a partir de 2002, em 70%, enquanto a expansão da área agrícola em 60%. Somos, vergonhosamente, os campeões no mundo no uso de biocidas, desde 2009.
O herbicida 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) foi desenvolvido a partir de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo na década de 1960 um dos componentes do agente laranja (junto com o 2,4,5-T, na Guerra do Vietnã). É um produto que tem eficácia contra plantas de folhas largas, sendo por isso utilizado para desbastar as florestas, em mais uma guerra provocada, onde os EUA alegava seu uso para poder “enxergar seus inimigos”. Porém, mais do que isso, foi usado como arma química, causando a morte e malformações em milhares de pessoas**. Ironicamente, a empresa Dow é do mesmo país (EUA) que se diz contra as armas químicas e usa esta “justificativa” para poder atacar agora a Síria.

Fonte imagem: http://pratoslimpos.org.br/?tag=2-4-d
Esta guerra contra as tais “plantas daninhas”, inclui também a guerra contra a biodiversidade, via morte de plantas as quais mais de 50% delas apresentam potencial de uso alimentício ou medicinal. Um dos produtos mais utilizados hoje com o 2,4-D tem nome comercial Tordon. Nem as pastagens se livram dele. Existe uma gama enorme de alternativas ao uso de herbicidas. A mais inteligente, para começar, é buscar a reconciliação com a biodiversidade, com o consequente banimento das monoculturas, inerentemente quimicodependentes. A Agroecologia e os movimentos sociais no campo têm exemplos de sobra para mostrar que copiar os processos da natureza, sem a atual acumulação ilimitada, é o melhor caminho.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou para a saúde o 2,4-D como Extremamente Tóxico (Classe I) e Perigoso para o meio ambiente (Classe III). Os maiores riscos para a saúde residem no potencial de perturbador endócrino (alterar a função hormonal), sendo também potencialmente cancerígeno. Os principais efeitos dos perturbadores endócrinos são androgênico ou estrogênico-dependentes. Segundo Ferment (2013)***, “ interferências em rotas biológicas geradas por perturbações endócrinas podem causar danos sérios e irreversíveis à saúde humana durante o desenvolvimento fetal e infantil”. Além da característica potencial de toxicidade à reprodução (teratogênico), existem fortes evidências de ser geneticamente tóxico (genotóxico).
Alguns autores, citados por Ferment (2013, observaram disfunções dos neurotransmissores e neuro-hormônios dopamina e serotonina em cérebros de ratos quando expostos ao 2,4-D. Alguns testes encontraram danos a células hepáticas humanas, demonstrando alteração da expressão de vários genes associados, entre outras funções biológicas, à resposta imunitária, à resposta ao estresse, ao ciclo celular e à reparação do DNA (ácido desoxirribonucleico). Afetaria também o processo de síntese da progesterona, hormônio central nos processos biológicos do ciclo menstrual feminino, e da prolactina, que está envolvida no processo de lactação. Estudos indicam inibição do processo de amamentação em ratas alimentadas com uma dieta incluindo pequenas doses do herbicida, tendo como consequência a perda de peso da progênie. ”
O 2,4-D tem como destaque sua tendência de se espalhar mais amplamente no ar do que a maioria dos herbicidas, despejados por via aérea ou por terra. Isso pode comprometer o ambiente nas vizinhanças de seu uso agrícola. Em ambientes fechados, como interior de casas, pode ficar ativo durante vários meses, via pó doméstico. Nos EUA, em cidades onde foram realizadas amostras em habitações a presença do 2,4-D variou em cerca de 60 a 90% das residências. Esse tipo de exposição diária doméstica, mesmo em pequenas doses, corresponderia a uma intoxicação crônica, que poderia desencadear efeitos endócrinos prejudiciais. Outra característica é que o espalhe do produto pelo ar atinge também pomares e outros cultivos localizados nas proximidades das lavouras onde é aplicado este herbicida.
No que se refere ao meio ambiente, o 2,4-D compromete a vegetação nativa das proximidades onde é aplicado, sendo tóxico para micro-organismos do solo, minhocas, insetos beneficiários e outros organismos importantes para o equilíbrio ecológico da lavoura, como abelhas e predadores naturais (joaninhas, vespas, aranhas, etc.). Apresentaria efeito teratogênico em aves (malformações em filhotes). Em meio aquático é considerado com ecotoxicidade elevada para os micro-organismos do plancton, bioacumulando em peixes, contaminando a cadeia alimentar como um todo, incluindo o ser humano e animais domésticos (Fermant, 2013). Quanto às águas subterrâneas, este herbicida pode se infiltrar facilmente nos solos, contaminando os aquíferos.
Até hoje, segundo Ferment (2013), nenhum país autorizou o plantio comercial de plantas transgênicas tolerantes ao 2,4-D. A regularização do 2,4-D sofre risco na União Europeia (UE), em especial por causa das suas potencialidades de perturbador endocrinológico. O autor destaca que o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, dos EUA, solicitou o banimento do herbicida .
O processo paulatino de aumento de resistência das ervas ruderais (“daninhas”) nas lavouras, com relação à tecnologia de plantas geneticamente modificadas (GM), tolerantes aos herbicidas, está trazendo um aumento quantitativo de biocidas em relação às lavouras convencionais. Com o advento desta tecnologia, os produtores começaram a usar cada vez mais herbicidas a base de glifosato por hectare, em meados da década passada. Nesse sentido, tudo indica que a adoção de plantas tolerantes ao 2,4-D irá aumentar ainda mais as quantidades desse herbicida nos grandes países produtores de grãos transgênicos, inclusive no Brasil. Então, daí, qual a sua vantagem?
Até que se faça algo, a liberação comercial deste evento transgênico pela CTNBio será iminente., pois a Comissão não costuma indeferir os pedidos de liberação comercial desde sua constituição legal, em 2005, extrapolando o poder dos órgãos de fiscalização e controle do Estado.
Entretanto, uma campanha começa a surgir, por parte da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e do Mogdema (Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente), entre outros movimentos da academia, do campo e da cidade, para evitar que o Brasil se torne o primeiro país a liberar comercialmente um evento para culturas transgênicas ligadas ao uso de um herbicida componente do agente laranja, utilizado na Guerra do Vietnã. Cabe à sociedade acompanhar isso, começando a questionar e pressionar os membros da CTNBio, em especial os relatores, alguns deles pesquisadores de universidades e outras instituições públicas, inclusive do Rio Grande do Sul.
** [BBC] Vietnã ainda sofre com químico jogado por EUA há 40 anos . Disponível em:
*** FERMENT,
Gilles. Documento contendo avaliação do risco relativo à
saúde do trabalhador rural, ao meio ambiente e às
práticas agronômicas das plantas transgênicas
tolerantes aos herbicidas a base de 2,4-D no âmbito
da Agricultura Familiar.
Relatório técnico. Brasília: NEAD-MDA, FAO, 2013, 43 p.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Último dia para conferir a mostra de filmes “Clima e Sustentabilidade”

Encerra-se amanhã a mostra "Clima e Sustentabilidade”, que ocorre desde o dia 7 de setembro em Porto Alegre-RS.

“Clima e Sustentabilidade apresenta filmes de vários países, em sua maioria documentários, que fazem uma reflexão sobre o futuro, de acordo com temas como as mudanças climáticas, catástrofes e escassez dos recursos hídricos.
A mostra é realizada pelo Goethe-Institut, com a colaboração do Cinefrance e em parceria com o Cine Santander Cultural."
Fonte: Catraca Livre - http://catracalivre.com.br

Confira os filmes que serão exibidos amanhã, no encerramento do evento:

15h – Pessoas – Sonhos – Ações
Menschen - Träume – Taten - Alemanha, 2007, 87 min 
Em “Pessoas, Sonhos e Ações” é possível ver os conflitos, o sucesso e os encontros diários de dois fundadores de duas aldeias que optaram por uma maneira diferente de viver, onde sonhos e exigências apresentam soluções viáveis e sustentáveis para uma vida bem sucedida.
Fonte: Cineclube Socioambiental - cineclubesocioambiental.org.br

17h – Água: Criando uma Nova Ética
Watershed: Exploring a New Water Ethic for the New West - Estados Unidos, 2012, cor, 56 min
Como um dos mais explorados, desviados e bloqueados rios no mundo – que luta para manter 30 milhões de pessoas que vivem no oeste americano – pode encontrar harmonia entre os interesses das cidades, dos agricultores, vida selvagem, indústrias e comunidades indígenas, todos com direito à água? 
Fonte: Goethe Institut - cms.goethe.de

19h – O Mundo Segundo a Monsanto
Le Monde Selon Monsanto - França, Canadá, Alemanha, 2008, cor, 104 min 
Criada em 1901, a Monsanto, líder mundial na produção de organismos geneticamente modificados, é conhecida pela toxicidade de seus produtos. Tendo enfrentado diversos processos na sua história, a empresa reinventou a sua imagem como uma companhia preocupada com o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza. Por meio de documentos inéditos e testemunhos de cientistas, representantes governamentais e vítimas da companhia, o filme investiga um dos maiores impérios industriais do mundo. 
Fonte: Goethe Institut - cms.goethe.de

OUTROS FILMES EXIBIDOS:
Idiocracy
Sobre a Água
A Era dos Ignorantes
Algol: A Tragédia do Poder
Guerra e Paz no Jardim
Antes do Dilúvio: Tuvalu
Receitas Para um Desastre
Nossos Filhos nos Acusarão
Vamos Todos Para Larzac

SERVIÇO
Quanto: R$ 8,00
Onde: Santander Cultural - Porto Alegre 
http://www.santandercultural.com.br/
Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro Histórico de Porto Alegre
(51) 3287-5940

Fonte: Catraca Livre - http://catracalivre.com.br

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mistério e “Muitas” Toneladas de Água Radioativa no Oceano Pacífico

A empresa que opera a usina nuclear de Fukushima, no Japão, ainda guarda mistério sobre a causa e as circunstâncias do vazamento de água radioativa para o oceano Pacífico. Sabe-se vagamente, que o acidente ocorreu devido ao deslocamento de um depósito, em função do afundamento de uma laje.

O terremoto de 2011, maior desastre nuclear em 25 anos, parece que foi apenas mais um aviso aos dirigentes japoneses e de todo o mundo, com a mensagem inequívoca de que não existe nível seguro para a questão termonuclear: calcula-se em 30 trilhões de becquereis a quantidade de césio e estrôncio radioativos que haveria chegado ao oceano Pacífico desde maio de 2011. Sem falar na contaminação de alimentos e outras aberrações.

Fonte imagem: http://www.dailykos.com
A recorrência de vazamento em Fukushima, por motivos diversos um do outro, faz lembrar alguns desastres nucleares como Three Mile Island e Chernobyl. Outra questão é a transferência de usinas nucleares para países pobres, com as suas populações pagando a conta da eterna insegurança da produção de energia nuclear para fins civis e militares.
Questão doméstica: pouco ou nada tem se falado, inclusive, sobre a exploração de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil – INB, em Caetité, a 757 km de Salvador (BA), alvo de muitas denúncias sobre insegurança, alto risco e uma gigantesca indiferença das autoridades no que diz respeito ao assunto.

Quanto à Fukushima: vemos notinhas de rodapé nos jornais de grande circulação. E poucos segundos nos noticiários televisivos, seguidos de um silêncio oceânico e criminoso antes dos comerciais.

sábado, 31 de agosto de 2013

Desabrigados no RS - Serviço Público


Fonte da imagem: http://www.diariodecanoas.com.br
Confira os Locais para Doações

Do Correio do Povo (www.correiodopovo.com.br) – 28.08.2013

“Cerca de 10 mil pessoas no Estado estão desalojadas, conforme a coordenação estadual de Defesa Civil. Coordenadores regionais estão sendo deslocados para auxiliar os 30
 municípios afetados. Pessoas que tiveram que deixar suas casas às pressas necessitam de: colchões, cobertores, roupas e alimentos. Por isso, estão sendo solicitadas doações para os desabrigados, que podem ser entregues à Central de Doações da Defesa Civil, localizada no Centro Administrativo Fernando Ferrari, localizado na avenida Borges de Medeiros, 1501, Centro de Porto Alegre (telefones (51) 8443-7446 e 3288-6781). 
Da parte da Prefeitura de Porto Alegre, foi aberto ontem um novo posto de arrecadação no Mercado Público, no Centro da Capital. A Fundação de Assistência Social (Fasc) também recebe doações, na avenida Ipiranga, 310. Os itens mais necessários são materiais de limpeza, higiene pessoal, roupas e calçados, principalmente para crianças, e alimentos para consumo imediato. As doações também podem ser feitas diretamente nos locais afetados, como a CAR Ilhas, na Ilha da Pintada; a Associação de Moradores da Vila Herdeiros; e na Escola Sylvio Torres, na Lomba do Pinheiro. Quem quiser ajudar pode pedir mais informações pelo (51) 3211-6100.”

domingo, 18 de agosto de 2013

Iracema - Uma Transa Amazônica

Em agosto, dentro da mostra Cinema Brasileiro na Estrada, a Sala Redenção da UFRGS exibirá, entre outros road movies brasileiros, o filme Iracema – Uma Transa Amazônica.

“Em 1974, em plena ditadura, surge o filme que faz um contraponto à propaganda oficial da época sobre a Amazônia, revelando as queimadas, o trabalho escravo e a prostituição infantil através da história da menina ribeirinha Iracema. Proibido durante seis anos no Brasil, recebeu inúmeros prêmios em festivais internacionais e, em 1980, quando liberado, foi o grande vencedor do Festival de Brasília.”

20 de agosto – 3º feira – 19h
21 de agosto – 4º feira – 16h
(Brasil, 1976,91 min.)
Dir. Jorge Bodansky e Orlando Senna

Fonte: Agenda Cultural da UFRGS julho/agosto 2013.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tratamento de Esgoto com Raízes já é realidade nos municípios de Nova Hartz e Novo Hamburgo–RS

Imagem de http://3gestaoambiental-unisantos.blogspot.com.br
Wetlands (ecossistemas parcialmente ou totalmente inundados durante o ano) ou Zona de Raízes são baseadas nos sistema dos pântanos, onde as plantas agem como esponjas (retendo as impurezas) e injetando oxigênio no esgoto. O sistema, porém, não dispensa o tratamento primário com fossas sépticas e são mais adaptáveis às pequenas comunidades rurais ou urbanas e ecovilas de no máximo 2 mil habitantes.

Num país como o Brasil, que prioriza estádios de futebol ao saneamento básico universalizado (consequências: maiores gastos com saúde pública e baixa qualidade de vida para a população, etc.), este tipo de iniciativa descentralizada é bastante relevante. Além do mais, ao contrário das estruturas de tratamento tradicionais que geram resíduos tóxicos e custos elevados, as wetlands ou zona de raízes são uma excelente alternativa por diversos motivos.

Alguns dos benefícios:
  • Evita contaminação do solo.
  • Ausência de resíduos tóxicos.
  • As raízes eliminam o mau cheiro.
  • Baixo custo.
  • Pouca manutenção
  • Cada estação tem vida útil de aproximadamente 40 anos.
  • Estética visual – paisagismo.
Como acontece na Europa, onde o sistema é largamente difundido, alguns municípios brasileiros merecem atenção dos demais. O destaque aqui vai para Nova Hartz e Novo Hamburgo –RS.

Nova Hartz: com problemas estruturais de saneamento básico comum a maioria dos municípios brasileiros (a Corsan trata apenas 13% do esgoto gerado no município), Nova Hartz traz a experiência descentralizada de tratamento de esgoto com filtro de raízes desde 2006. A escola José Schmidt, no Arroio da Bica, recebeu o projeto piloto, e outros pontos estratégicos vem sendo implantados de lá pra cá. O poder público local busca incentivar mutirões para construção de “pequenos jardins filtrantes” nas comunidades.

Novo Hamburgo: o município, em convênio com a Feevale, a Comusa e a empresa espanhola Macrofitas SL, testa o uso da tecnologia Hidrolution FMF (Filtro de Macrófitas Flutuantes). A estação piloto fica no bairro Canudos e a tecnologia espanhola em questão é diferenciada de outros tipos de tratamento de esgoto com raízes, pois emprega balsas para promover a flotação das plantas. Typha dominguense é a planta que se entrelaça formando o filtro suspenso que, através da diferença de pressão isostática, faz chegar o oxigênio ao esgoto através das folhas e raízes.
O município de Novo Hamburgo, assim como Nova Hartz, pretende investir para expansão desta tecnologia sustentável como forma de enfrentar os problemas estruturais de tratamento de esgoto comuns aos municípios brasileiros. 

Fonte: Arquivo AmbienteMaiss



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Documentário - 2012 Tempos de Mudança

Excelente documentário!

"O filme “2012 – Tempos de Mudança” é resultado de 500 horas de imagens, animação e mais de 200 entrevistas. O filme traz depoimentos contundentes de David Lynch, Sting, Ellen Page, Gilberto Gil e Terence McKenna, entre muitos outros, falando de suas experiências com meditação, ayahuasca, projetos sustentáveis, contracultura, expansão da consciência.

Misturando a sabedoria de culturas ancestrais com as possibilidades da tecnologia, o filme apresenta alternativas ecológicas - e muitas vezes surpreendentemente simples - para produzir energia, reciclar lixo, regenerar o solo, reaproveitar água, gerar alimentos mais saudáveis."

Fonte: Cineclube SocioAmbiental (http://www.cineclubesocioambiental.org.br)



2012 - Tempos de Mudança - (2012 - Time for Change)
Direção: João Amorim 
Produção: Mangusta Productions em associação com Curious Pictures e PostModern Times
Duração: 85min.
Ano: 2010
Site: www.2012timeforchange.com


"Apenas peguntar o que vai acontecer em 2012, pode ser a pergunta errada. Deveríamos perguntar o que vamos fazer, o que vamos permitir que aconteça, que mudanças podemos causar agora. Caberá aos indivíduos e depois às comunidades mudarem profundamente a forma que conduzem a si próprios e ao planeta." Daniel Pinchbeck"

"Nós temos atualmente os recursos, tecnologia e conhecimento para fazer do mundo um sucesso completo para todos, sem nos apossar ou destruir o meio ambiente" Richard Buckminster Fuller (visionário, designer, arquiteto, inventor e escritor norte americano)."

domingo, 4 de agosto de 2013

O Que é Permacultura?

A PERMACULTURA é desenvolvida através da conexão entre alguns eixos: água, energia, habitação, alimentos, etc. Ou como define o site blumenews.com.br: "...consiste em métodos de produção agrícola com baixo impacto ambiental, reestruturação de solo e florestas, com o objetivo de propiciar recursos perenes às próximas gerações.


Imagem: http://hblpermacultura.blogspot.com.br/p/permacultura.html
A permacultura (das palavras: cultura/permanente) visa tirar o máximo proveito com o mínimo de espaço.

Conheça o IPEP – Instituto de Permacultura e Ecovilas do Pampa (Bagé-RS)
“Ética da Permacultura: cuidado com a terra, cuidado com as pessoas; partilhar recursos e aplicar limites ao consumo.”
Acesse: www.ipep.org.br

domingo, 28 de julho de 2013

AMIANTO

O amianto começou a ser utilizado no século XIX como isolamento térmico para equipamentos, durante a Revolução Industrial, e tem o seu auge no século XX.
A exposição ambiental a este mineral fibroso afeta principalmente os pulmões e a pleura (membrana de revestimento do pulmão), e é causa de uma em cada três mortes por câncer ocupacional no Brasil. Apesar disso, é praticamente nula esta informação nos laudos médicos brasileiros do século XX, facilitando assim os interesses econômicos advindos desta matéria-prima.

Imagem do site: www.tst.jus.br
O município de Minaçu (Goiás) possui a maior mina de amianto do Brasil (terceiro maior produtor mundial), administrada pela Sama, propriedade da Eternit.
Na Itália, o suíço Stephan Schmidheiny, sócio da Eternit Itália, foi julgado pela morte de mais de 3 mil pessoas devido à contaminação pelo amianto, juntamente com o belga Jean-Louis Marie Ghislain de Cartier de Marchienne, ex-sócio e falecido pouco tempo antes da sentença inédita, que vai de 16 a 20 anos de prisão. Além disso, pesam indenizações de 30 milhões de euros para a cidade de Casale Monferrato, que foi mais afetada, e outros 20 milhões para a região de Piemonte.

Na América do Sul, nossos vizinhos Uruguai, Chile e Argentina já possuem legislação proibindo a produção e uso do amianto, juntamente com outros mais de sessenta países no mundo – notadamente a União Europeia. Ao contrário do Brasil que tropeça em iniciativas semelhantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) denominam como “catástrofe sanitária do século XX” a gravidade do quadro epidêmico gerado pela cadeia do amianto.
Por volta de 50% das residências no território brasileiro são cobertas por telhas com fibrocimento com amianto. A utilização do mineral, porém, está vinculada a cerca de 3.000 produtos ligados à construção civil e à cadeia automotiva. O setor do amianto movimento cerca de R$ 3,1 bilhões anuais.
Alguns dos expoentes do grupo de parlamentares e senadores goianos, a chamada Bancada da Crisotila, que procura evitar o debate nacional, está Demóstenes Torres, o deputado Carlos Leréia e o governador Marconi Perillo.


Estima-se que cerca de 130 milhões de trabalhadores no mundo estejam expostos aos efeitos cancerígenos do amianto, além de uma estatística da OMS e da OIT, que dá conta de 107 mil trabalhadores mortos anualmente em função da exposição ao mineral.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O que Ciclistas, Macacos Urbanos e uma Reserva Natural têm em comum? Responde aí no fim da leitura

Texto do colaborador Celso Alegransi - Historiador

Parque estadual de Itapuã: Unidade de conservação no município de Viamão (já pertenceu a Porto
Alegre). Tem várias praias, mas somente algumas são liberadas no verão (lotação máxima de 350 pessoas). Uma das mais belas praias (que não tem entrada liberada nem no verão) já foi uma das partes mais urbanizadas de Itapuã, sendo o local de residência de cerca de quatro mil pessoas (atualmente Itapuã – que é um distrito de Viamão – tem cerca de mil habitantes). A vila que se formou ali foi removida quando a região foi considerada Unidade de Conservação da Natureza em 1991. No parque é possível contemplar uma das raras paisagens originais da região. E não é só isso. A fauna original também está preservada com a criação desde a criação do parque. Olha só o que pudemos contemplar no último domingo:

 Jaguatirica. Considerada espécie em perigo por algumas entidades de proteção dos animais
Programa Macacos Urbanos: Criado há 20 anos pelo pessoal da UFRGS; realizam pesquisas científicas e ativismo político a fim de preservar o Bugio Ruivo em seu habitat natural (algumas áreas da região metropolitana de Porto Alegre). O mencionado habitat é constantemente ameaçado por ocupações (regulares e irregulares), extração de saibro, terra fértil, granito, queimadas, dentre outros problemas.
Ciclistas: Pessoas que locomovem-se num veículo de duas rodas, não poluente, tração humana através um tipo de alavanca chamada pedais. Quando essas pessoas decidem usar esse meio de transporte em trilhas no meio do mato, são chamados trilheiros.

Resumo da obra: No último domingo, 14 de julho de 2013, foi realizado um passeio ciclístico no Parque Estadual de Itapuã em comemoração aos 20 anos do Programa Macacos Urbanos. Sempre com a presença de pessoas do parque (diretores, monitores, seguranças, etc.), passeamos por algum tempo dentro do parque, inclusive em áreas nas quais não é permitido ninguém chegar perto (a não ser pesquisadores e pessoas do parque). Mata primária nativa, paisagens fantásticas – digna de serem chamadas de paradisíacas, animais silvestres ("exóticos" para o público urbano), ar puro e o prazer de pedalar. Ah! Quase esqueci: ainda ganhamos uma camiseta comemorativa. Tudo isso numa manhã de domingo. 

Abaixo uma foto minha com os amigos mais próximos (foi bem mais gente do que os que estão na foto).

Bem, creio que agora a pergunta do título já pode ser respondida. 



quinta-feira, 18 de julho de 2013

40 Anos do Parque Estadual de Itapuã (Viamão-RS)

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente, no mês de julho, desenvolve ações comemorativas aos 40 anos do Parque Estadual de Itapuã, em Viamão- RS.
Com entrada gratuita durante todo mês, estão entre as atividades na unidade de conservação: 2º Feira Ambiental, passeio ciclístico, ações de educação ambiental e atividades culturais variadas, trilhas e artesanato indígena. No último domingo, em solenidade na Praia das Pombas, foi lançado o selo alusivo aos 40 anos do Parque. Entre outras praias do Parque Estadual de Itapuã estão a Praia do Tigre e a Praia de Fora – além das ilhas: Ponta Escura, do Junco e ilha das Pombas.

Constituído por decreto em 1973, o Parque recebe investimentos advindos de medidas compensatórias desde 2012. A unidade de conservação compreende uma área (5.566,50 hectares) de morros, praias, lagoas, dunas e banhados; entre sítios arqueológicos, a fauna e a flora preservados em plena região Metropolitana de Porto Alegre.

olhares.uol.com.br / diariogaucho.clicrbs.com.br / semanadoservidor.rs.gov.br / popa.com.br

Resolução Conama Nº 457 – Uma Porta Aberta para o Tráfico de Animais? / 274 Espécies com Risco de Extinção no RS

Causa polêmica a Resolução Conama No. 457, que dispõe sobre o depósito e a guarda provisória de animais silvestres apreendidos ou resgatados por órgãos ambientais – e também aqueles recolhidos de forma espontânea.
A Resolução permite a qualquer cidadão brasileiro ter a posse de até 10 animais apreendidos ou resgatados, desde que longe do seu habitat natural.
O Conselho Federal de Biologia (CFBio) afirma que esta medida trará insegurança jurídica, e vai desestimular a criação legal de animais em cativeiro.
Acredita-se que a medida venha para desobrigar o governo da ampliação e da qualificação dos CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), com capacidade atualmente de apenas 5% da demanda de animais recolhidos.

274 Espécies com Risco de Extinção no RS

A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) realiza uma consulta pública para avaliar as espécies mais ameaçadas no RS. Entre três níveis (vulnerável, em perigo e criticamente em perigo) são 274 espécies e 11 já extintas. Entre as espécies ameaçadas estão aves nativas, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes de água doce.

www.ecoloja.com.br / www.terra.com.br / www.avesderapinabrasil.com 
Entre estas: Lobo-guará; Cuíca-lanosa ou Gambazinho; Tamanduá-bandeira; Tamanduá-mirim; Morcego-borboleta-avermelhado; Lagartinho-pintado; Gavião-cinza, Águia-chilena; Corruíra-do-campo; Patativa, etc.

 A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) aceita contribuições da população sobre espécies em extinção: www.fzb.rs.gov.br

sábado, 29 de junho de 2013

Transporte coletivo puxa pressão das ruas e debate nacional

Enquanto as manifestações de rua impulsionam uma série de debates nacionais, a mobilidade urbana ganha espaço entre PEC 37; reforma política e fiscal; educação e saúde pública. O governo brasileiro e dirigentes da FIFA jamais imaginariam uma festa democrática em plena Copa das Confederações.

Dilma reconhece que o país deixou de investir em metrôs, por exemplo. Seria um bom recomeço, depois de dez anos de governo do PT. Mas a população, ao que parece, já está farta das siglas partidárias e das suas alianças obscenas, em prol de uma governabilidade engessada e sempre permeável ao desvio do dinheiro público e a chaga da corrupção.

Já fica claro, por exemplo, que a população nas ruas tem o poder de desengavetar o armário mofado das instituições nacionais. E que uma sociedade desenvolvida não é quando os “pobres” conseguem comprar carro com redução de IPI e demais incentivos, e sim, quando a parcela de poder aquisitivo mais elevado não tem vergonha de usar o transporte coletivo. Uma questão não somente política como cultural.


A miragem do metrô de Porto Alegre, que já estava ficando novamente distante, poderá embarcar nessa. Ou não? Será que o José Fortunati vai requerer uma fatia destes 50 bilhões que surgiram a mais, como um passe de mágica, para o Pacto da Mobilidade Urbana? As manifestações de rua estão fazendo milagres? Não. Apenas fazem lembrar que todo o poder emana do povo. E que esta catarse coletiva que vivenciamos no já histórico junho de 2013 não deve ser abafada com medidas simbólicas, apressadas e demagógicas. Mas deve ser combustível para o presente/futuro do país.

A mega hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, no seu modelo atrasado e devastador do ponto de vista socioambiental – é outro tema que também deveria estar sendo debatido amplamente. Assim como o investimento em matrizes energéticas renováveis (eólica, solar e biomassa), que se trata de uma questão estratégica em médio e longo prazo para o Brasil. Tem muita água pra rolar!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Segue proibida a extração de areia do Rio Jacuí

Uma ação promovida pela ONG de Proteção Ambiental APTA denunciando a degradação das margens do Rio Jacuí e o desaparecimento de mais de cem praias em função das atividades de mineradoras, acabou gerando, sob alegação de danos ambientais irreparáveis, a proibição da extração de areia na região por determinação judicial.

Esta proibição será mantida no mínimo até uma perícia completa no Rio Jacuí que vai apontar a real dimensão dos danos ambientais irreparáveis. Entretanto, a proibição redirecionou os esforços das mineradoras para jazidas nas cidades de Cristal, Rio Pardo e Viamão.

Imagem de http://www.onacional.com.br
Aro Mineração Ltda; Somar Sociedade Mineradora Ltda e Smarja Mineração representam 90% das atividades de extração do Rio Jacuí. Nesta quarta-feira (05.06.2013) em Porto Alegre, entidades de trabalhadores e empresários de transporte de areia e demais entidades ligadas à construção civil realizaram atos de repúdio a proibição.

Alguns dos argumentos contrários a determinação judicial é o atraso das obras da Copa do mundo de 2014; o desemprego no setor e a opinião de que a queda das margens do rio e o desaparecimento de mais de cem praias é uma ação natural do Rio Jacuí.


Mas o que se verifica na ação judicial é que quando a busca em profundidade se torna impossível, a extração avança às margens do Rio – o que tiraria a sustentação do solo. 

sábado, 8 de junho de 2013

Incentivo à pesquisa é pensar um futuro sustentável (Arraia Gigante)

A Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, premiou como melhor Desenho Técnico de 2012 o jovem Slat Boyan (19 anos) pelo protótipo de um equipamento apelidado de Arraia Gigante.


Com matriz potencial de retirada de cerca de 7 milhões de toneladas de plástico acumulado no oceano, o equipamento funciona com pás que juntam os resíduos e os armazenam para reciclagem. Estes resíduos de plástico no mar chegam a formar ilhas de lixo em certos pontos do Planeta, interferindo em todo o ecossistema marinho que acaba sofrendo com a poluição e a morte de milhares de espécimes de plantas e animais que acabam presos nesse lixo.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Seminário em Porto Alegre: Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos

Como parte das atividades da Semana Municipal e Estadual de Meio Ambiente, no Plenário Otávio Rocha dias 06 e 07 de junho , acontece o “Seminário de Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos: Cidade Bem Tratada” para discutir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O foco principal de debate será a implementação de sistemas de LOGÍSTICA REVERSA. O encontro é promovido Câmara de Vereadores de Porto Alegre e Associação Toda Vida.

Informações: http://cidadebemtratada.wordpress.com/programacao


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Serras da Desordem

O filme Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci, reconstitui a trajetória do índio Carapiru que escapou com vida do massacre da sua aldeia Avá-guajá por pistoleiros do Maranhão em 1978. Carapiru transitou pela floresta durante dez anos até ser encontrado na Bahia, a dois mil quilômetros de onde ocorreu o massacre, completamente nu, apenas com um arco e flecha, um cesto e sem falar nenhuma palavra do português. Ele foi acolhido por uma comunidade local e depois levado para Brasília pelo sertanista Sydney Possuelo.

Numa linha de estranhamento e experimentação entre documentário e ficção o filme do ítalo-brasileiro Andrea Tonacci (Bang bang, 1971) pretende e consegue projetar um olhar generoso sobre a diversidade cultural do Brasil sem precisar pregar qualquer tipo de conscientização didática a respeito.  Um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, o filme é um documento belo e trágico de um caminho sem volta que merece do expectador um olhar diferenciado. Trata-se de uma oração silenciosa sobre respeito e solidariedade.  Uma experiência que vale a pena!

domingo, 12 de maio de 2013

MEIO E FIM



Por Juremir Machado da Silva
Correio do Povo – 03.05.2013
juremir@correiodopovo.com.br

Harpagão, personagem de Molière em “O Avarento”, queixa-se: “Maldito dinheiro, como és ruim de guardar”. Alguns têm um desejo frenético de multiplicá-lo. A qualquer custo. Tem gente, por demais apegada ao “desenvolvimento econômico”, que não consegue perceber a evolução dos costumes. A relação entre meio ambiente e empreendimentos de toda a sorte se alterou. Aquilo que era banal – derrubar árvores pelo “bem” da cidade ou instalar um condomínio de luxo quase dentro de um rio ou do mar – já não é mais aceito como progresso. O meio ambiente tornou-se um fim em si. Estão sob fogo cerrado as maneiras honestas ou desonestas de lidar com a natureza.

A Operação Concutare, pelo jeito, veio refrescar a memória dos mais resistentes ao novo quanto aos atalhos. Nessas situações, os suspeitos de corrupção quase sempre descobrem as agruras das prisões, ainda que por pouco tempo, em primeiro lugar. Os corruptores normalmente ficam para depois e, no mais das vezes, perdem a oportunidade de passar algumas noites em lugares emocionantes como o Presídio Central de Porto Alegre. Acontece que os corruptores podem integrar aquele seleto grupo que brada contra a impunidade em certos casos e trata de driblar alei em outros por achar que sonegar impostos é uma obrigação, dado que o Estado gasta mal e devolve pouco, ou que corromper agentes públicos em busca de licenças  ambientais mais expeditas é uma missão a serviço do crescimento por considerarem as preocupações ambientais como devaneios de utopistas desocupados.

A proteção ao meio ambiente tornou-se um dos valores mais caros do nosso tempo. Só a especulação imobiliária, certos políticos, muitos burocratas e uma categoria de empreendedores, desses que adoram falar em vanguarda da retaguarda, comportando-se não como pioneiros do progresso, mas como atrasados do pioneirismo, ainda não notaram a grande transformação no imaginário social. Uma fileira de árvores, mesmo recente, pode valer mais do que uma nova pista para carros. A margem de um curso de água pode ficar muito mais bonita vazia do que cheia de prédios. Viver de frente para um rio pode não significar encher a sua borda de concreto, mas mantê-la limpa, arborizada, segura e livre para passeios e corridas.

O progressista do século XIX e de boa parte do século XX via a natureza como um espaço a preencher e a tornar lucrativo. Quanto mais bela fosse uma paisagem, mais deveria ser transformada pela mão humana nem sempre hábil. É inegável que belas cidades foram construídas. Também é irrefutável que lugares maravilhosos foram destruídos. Chegamos ao limite. A sensibilidade agora é outra. Mas alguns atrasados do pioneirismo resistem. Os mais afoitos nem sempre se constrangem em usar métodos indecorosos para atingir os seus fins ultrapassados.

Os tempos estão mudando. Corruptores e corrompidos já dividem celas. No futuro, serão castigados com aulas de ecologia. Os mais empedernidos, porém, olham os ambientalistas com desdém e chegam a citar outra tirada de Harpagão: “Aquela rebeldia, meu tudo, tenha fé que a de passar-lhe um dia”. Não veem que passou o tempo da dominação implacável da natureza, pois ela se vinga. A natureza dos projetos é que terá de mudar. Que clima!